domingo, 30 de maio de 2010

Sorvete.

E quando eu abri os olhos e dei por mim, lá estava eu. Parada, estática, e agitada como nunca estivera antes. Muda, falava mais de mil palavras pra que ele ouvisse. Ele estava ali, olhando pra mim, quieto, profundo, provocando-me. Não sabia o que ele faria, não sabia nem ao menos o que eu faria numa situação daquelas. Meu suspiro abafado ecoou pelo ar, e sorrateiramente fechei os olhos novamente. Ele me abraçou ternamente, e me senti traquila, não estava mais agitada como dissera antes.

Todas as sensações e todos os sentimentos que eu nunca sentira antes ou, nunca tinha sentido tudo de uma vez, vieram a tona: medo, desejo, loucura, delírio, aflição, arrepios, calafrios, prazer, tudo que é de mais terreno e deleitoso. Não sabia nada sobre aquilo, e muito menos ele. Era tudo tão novo, tudo tão inovador, tudo tão inocente, e deveras sincero. Eu até ficaria assustada com tudo isso. Mas não sei por que, não fiquei.

Não parecia real, nunca achei que aconteceria. Ele ainda estava a me olhar, com seus olhos que diziam as palavras mais lindas que eu já ouvira antes. Sua boca estava curvada num sorriso, que, de tão grande era impossível não notar. Estava aparentemente ofegante, e eu estava aparentemente apavorada. Não sabiamos ao certo o que tinha acabado de acontecer entre nós, mas estavamos ambos felizes, curiosos, satisfeitos,lambuzados, apaixonados (?). Não imaginavamos que poderia ter ocorrido assim, tão de repente, tão mágico, tão maravilhoso.

É, não tem nada como tomar sorvete juntos, como um casal, pela primeira vez.

sábado, 22 de maio de 2010

Vergonha Alheia.

Tenho vergonha de tudo e todos. É, hahaha, sei que pode não parecer mas eu tenho. Tenho vergonha de comer na frente dos outros, de assistir TV na frente dos outros, de amar na frente dos outros, de respirar na frente dos outros, de ficar doente na frente dos outros, de nadar na frente dos outros, de ser eu mesma na frente dos outros. Sei lá, dá medo. As pessoas estão sempre me julgando ou me analisando como se fosse um filminho novo: "Aff, não gostei dos efeitos especiais!" ou, coisa do tipo "Nossa que roteiro mal escrito.". Sempre acho que se eu falhar, vão cair matando em cima de mim, ou tendo uma má impressão de mim. Na verdade, acho que a timidez é medo. Medo do mundo, medo de amar e ser amada, medo da rejeição, medo da negação, medo de cair, medo de falhar, medo de viver errando. É, isso toma conta de mim, às vezes. Muitas vezes. Okay, vou parar de escrever por que tenho vergonha que pessoas lerão isso.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Amor Não Existe.

Parei para pensar por que eu gosto de você. Por que eu sofro tanto por você. Por que eu tenho um ciúme doentio por você, se você não é nem ao menos meu. Por que eu sinto arrepios e calafrios quando você me abraça, se você nem é tudo aquilo que eu sempre quis. Não tem motivo, não tem. Você tem qualidades, mas seus defeitos se destacam, ou melhor, você os destaca. Seu pior e mais deploravel defeito é capacidade de me fazer mal em poucos segundos. Então, por que eu gosto tanto de você?

Acho que é uma ilusão. Eu criei um sonho, um utopia amorosa, um mundo ideal e, como uma inocente criança que acredita que vai ser astronauta quando crescer, acha que isso vai se realizar. Mas não vai, nunca irá acontecer. Sonhos são só pensamentos que você não pode concretizar, então sonha que aconteceu. Me iludo e me afundo nessas visões maravilhosas e destrocidas da realidade.

Mas eu insisto cegamente em que um dia tudo vai dar certo: épicamente meu Hércules irá vir em seu cavalo e me resgatar dessa amargura; e que minha história vai terminar como um clichê de história infantil: "E viveram felizes para sempre...". "Para semre" é um tempo que eu tenho e gostaria de gastar com você ao meu lado.

Acho que me acustumei em amar. Me acomodei em sofrer por alguem, me adptei a rotina de chorar pensando que ele não me ama, tornei comum no meu dia após dia dormir e ver seu rosto. Sempre foi assim. Sempre eu amo de mais e me amam de menos, ou melhor, não me amam. Não sei como é ser amada, nunca soube e, pelo andar da carruagem, nunca saberei o que é alguem dizer "eu te amo" do fundo do coração.

Essa ilusão que um dia eu vou beijar um sapo e ele vai virar me príncipe que me amará incondionalmente para eternidade, alimenta uma esperança que é certamente estupida. Amor perfeito, pelos menos pra mim, é impossivel e inalcancavel. Não existe amor ideal, não existe.

Me acustumei a ficar buscando esse certo alguem que possa me fazer feliz. Estupidez e persistencia resultam nessa minha busca sem fim do amor perfeito. O pior é que nem um amor imperfeito, um meio-amor, um requício de amor, eu consigo ter. É sempre amor só de um lado, carinho só de um lado, ciúmes só de um lado. E esse lado sou eu.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Imaginário.

Não existe conversa. Não existe abraço. Não existe amor. Não existe carinho. Não existe nada. Não existe você. Não existe nós. Não há relação. Não há. Não existe intimidade. Não existe afinidade. Não existe confiança. Não existe ciúme. Não existe paixão. Não existe nada. Não existe.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Meretriz.

Fico tão agastada pensando na vida. Me acho tão má às vezes. Tão ruim, tão desumana, tão diabólica, maquiavélica. Me vejo, de vez em quando, como aquelas meninas malvadas, fúteis, vazias e vadias típicas de filme idealista norte americano. Atos que por mais que eu não faça por maldade ou para me exibir, eu faço simplesmente por fazer.

Mas aí, algo chamado bom senso unido ao livre arbítrio e a consiciecia, me param e me fazem reflitir: "sera que isso é certo?", "por que eu fiz isso?". E a partir daí sinto como se o mundo recaísse sobre mim, como um bobardeio em Hiroshima. Me culpo e sou culpada, me julgo e sou julgada.

Atos, palavras, gestos, olhares. Coisas tão espontaneas que fico pensando que minha essencia, que minha personalidade é diabólica, que eu sou um ser desumano, frio e cruel. Não entendo.

Não entendo por que isso, se são coisas que às vezes me deixam tão feliz, incomoda e agride os outros. Um abraço apertado, um beijo demorado, uma piada, um sorriso, uma conversa mais desabafadora. Por que as pessoas me colocam essa culpa? por que elas veem malícia onde não tem?

Confesso que não sou santa. Mas também não sou uma meretriz. Entendam que por mais que você queria ver maldade, juro que não há. É só amor. Amor de um jeito de amizade, e não amor como pensamos normalmente.

Me deixa ser feliz? É dificil fazer isso com milhares de olhares de reprovação; sei que tenho que ignora-los, mas desculpa, pra mim isso é mais dificil. Não veja maldade onde não há, por favor.

Impotência.

É tão desanimador quando alguem precisa de você e você não ode fazer nada parar ajudar.

Você.

E eu me pergunto: "por que?". Por que você mexe assim comigo? Por que quando estou quase te deixando, você vem e volta? Por que quando você quase não assombra mais meus sonhos, você vem e aparece nos meus pensamentos? Por que você me abraça com carinho e reanima minhas esperanças falidas? Por que você fala aquelas coisas que nunca vai cumprir?

Você me deixa confusa. Eu nunca sei se você está aqui ou se você quer ir embora, ou se você não queria nem mesmo entrara. As dezenas de perguntas que vem a minha cabeça...por que você não responde a nenhuma delas? Deixa-as no ar da dúvida. Pára de me magoar, pára de brincar comigo,pára de me dar esperanças falsas, pára de fazer tudo que você faz. PÁRA.

O pior é que eu nem deveria estar assim, que ridícula eu. Não, eu não deveria. Todos falam que você não me merece, mas eu não vejo assim. Você é diferente comigo - mas por que raios agem assim? - e eu gosto desse você. E não do você que me machuca, que me confunde, que me ignora.

Nossa, eu devo ser muito idiota mesmo. Fico mal por nada, ou seja, por você. eu sou muito carente memso, que escrota eu. Fazer o que se eu me apeguei a você? Burra, burrra, burra!O rídiculo é que eu não consigo desistir de você. Você não me merece, eu não te mereço. Não posso, não devo querer você.

I GOT TO FIND SOMEONE BETTER, BETTER THAN YOU. MAYBE I CAN IMPROVE YOU. MAYBE.

sábado, 1 de maio de 2010

É o Fim, é o fim.

Sempre anos vão e anos vem, e rotina casa-escola continua. Sempre as mesmas coisas, sempre as mesmas pessoas, sempre os mesmos locais, sempre o mesmo mundinho paralelo. Sempre os mesmo amigos, as mesmas visões de mundo, as mesma lições chatas, os mesmo professores malas. Nos cansamos da rotina, mas nos acostumamos tanto com ela que não vivemos sem. Sempre a mamãe que leva pra lá, faz isso aqui, arruma acolá. Sempre temos que fazer tudo do mesmo jeito. Sempre.

Mas um dia a vida muda, é, a vida muda. E a rotina casa-escola sofre uma ruptura. Sáimos da escola, vamos para faculdade. Fazemos 18 anos - idade tão cobiçada desde os 13 anos - e viramos responsáveis por nós mesmos. Vemos que a realidade não é asim tão doce quando era. Percebemos que as visões de mundo eram poucas, as licões chatas eram necessárias, os professores também. Temos que tomar conta de nós mesmo, fazer tudo sem ajuda de ninguem. Somos soltos no mundo como num teste para ver que se o que aprendemos durante parte da vida, serve para o resto dela.


Um dia somos obrigados a sair do casulo para enfrentar as feras desconhecidas. Não estou preparada para isso, é, ainda não virei um independente borboleta.