E quando eu abri os olhos e dei por mim, lá estava eu. Parada, estática, e agitada como nunca estivera antes. Muda, falava mais de mil palavras pra que ele ouvisse. Ele estava ali, olhando pra mim, quieto, profundo, provocando-me. Não sabia o que ele faria, não sabia nem ao menos o que eu faria numa situação daquelas. Meu suspiro abafado ecoou pelo ar, e sorrateiramente fechei os olhos novamente. Ele me abraçou ternamente, e me senti traquila, não estava mais agitada como dissera antes.
Todas as sensações e todos os sentimentos que eu nunca sentira antes ou, nunca tinha sentido tudo de uma vez, vieram a tona: medo, desejo, loucura, delírio, aflição, arrepios, calafrios, prazer, tudo que é de mais terreno e deleitoso. Não sabia nada sobre aquilo, e muito menos ele. Era tudo tão novo, tudo tão inovador, tudo tão inocente, e deveras sincero. Eu até ficaria assustada com tudo isso. Mas não sei por que, não fiquei.
Não parecia real, nunca achei que aconteceria. Ele ainda estava a me olhar, com seus olhos que diziam as palavras mais lindas que eu já ouvira antes. Sua boca estava curvada num sorriso, que, de tão grande era impossível não notar. Estava aparentemente ofegante, e eu estava aparentemente apavorada. Não sabiamos ao certo o que tinha acabado de acontecer entre nós, mas estavamos ambos felizes, curiosos, satisfeitos,lambuzados, apaixonados (?). Não imaginavamos que poderia ter ocorrido assim, tão de repente, tão mágico, tão maravilhoso.
É, não tem nada como tomar sorvete juntos, como um casal, pela primeira vez.
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