Lá estava ele, ofegante. Parado na frente dela sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, sem saber ao menos, como respirar mais devagar naquele momento. Deitados, ela fitava-o profundamente, como se desejasse achar a alma em seus olhos confusos. Tinham se conhecido há mais de um ano, mas tinham se descoberto há menos de cinco meses.
Ela o tinha visto de passagem nos corredores inóspitos daquele colégio infernal. Ele já a conhecia de passagem, assim meio rápida, quando conversava com seus amigos - estes, digasse de passagem, a achavam muita areia para seu caminhãozinho. Dias vão, dias vem, e eles começaram a se falar. Cada dia mais, e assim foi crescendo algo dentro deles. Pena que esta não é uma história de amor.
O sentimento que crescia dentro dele, era muito diferente do crescimento que ela estava construindo, tijolo por tijolo, dentro dela. Ela não sabia se era amor ou se era apenas a carencia afetiva que a assombrava desde o início de sua puberdade. Ele sabia bem o que queria, afinal, ele era homem e já sabia dessas coisas, apesar de ser mais novo que ela.
Continuaram a se encontrar, e cada vez mais se descobriam. Em cada encontro uma novidade, a cada novidade um novo sentimento surgia ou se aprofundava. Mas de uns tempos pra cá os papeís dessa história começaram a se inverter. Ela começou a desencanar dele, conheceu outra pessoa, mudou repetinamente. Ele começou a se apegar a ela de uma forma como nunca tinha se apegado a alguem antes: não era só mais um coisa do físico e sim do coração.
Mas, lá estava ele, ofegante. Parado na frente dela sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, sem saber ao menos, como respirar mais devagar naquele momento. Deitados, ela fitava-o profundamente, como se desejasse achar a alma em seus olhos confusos. Ele teve coragem, engoliu o desepero e falou o que estava ali para dizer há horas. Ela o olhou e, como num ato de indiferença, riu numa gargalhada quase que maquiavélica, deu-lhe um beijo, levantou-se e foi embora para nunca mais voltar.
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