Todo aquele sentimento que eu achava que sentia, que eu achava que queimava dentro de mim, apagou, foi embora tão rápido e tão derepente, como o nosso começo.
Aqueles desejos, aquela fome de carne, tudo se foi. Estarei mentindo se afirmar que não sinto mais vontade de degustar a tua carne, sim, eu ainda a quero bem quente e no espeto. Mas é uma coisa tão física, tão superficial, tão banal, tão vergonhosa, tão suja, tão canalha. Não acho que eu posso tratar alguem desse jeito: como um objeto de prazer, uma figura que não passa nenhuma emoção, nenhum sentimento, nem ao menos afeto, carinho.
Seria com apenas comer a carne por gula. Só por que somos vegetarianos até o presente momento, não significa que a primeira carne que eu ver pela minha frente, eu vou comer. Tenho que gostar da aparencia dela, ela tem de me dar água na boca e uma vontade incontrolavel. Não quero comer sem vontade, sem sentimento, só por desejar mais que tudo a carne humana.
É. Sabemos que praticamos esse canibalismo apenas por prazer instantaneo, sabemos que não é pra sempre, que vai passar muito rápido, e que, quandos estivermos separados, não nos lembraremos um do outro (a não ser num sábado de noite, sem nada pra fazer e com coisas na cabeça). É, só que isso só entrou na minha cabeça há pouco tempo. E, para o seu azar meu caro, o caso se agravou. O canibalismo não basta mais pra mim. A tua carne, o teu sangue não tem mais o mesmo encanto, não tem o mesmo sabor que antes.
Além do que você sempre me tratou assim: como seu contigente de prazer pessoal, mas não único. Eu até cheiguei a aceitar tão condição, pois, da minha parte havia sentimento. É, havia, no passado. Começei a perder o sentimento, e ganhar vontade de experimentar a carne sem ao menos gostar tanto de você. Ou chegar ao ponto de experimentar o canibalismo explícito pela primeira vez sem gostar nenhum pouco de você.
Mas, sabe, como inciante nessa área, não quero comer a carne sem ao menos gostar do sabor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário