sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Fotos.

Vivi muitos momentos perfeitos. Saídas de última hora, amigos insanos e bêbados de diversão, dezenas de deslumbrantes sorrisos à minha volta, vivendo aquela alegria de não ter horário para voltar para casa. Uma única noite parecia dias e dias, não parecia terminar jamais e vivíamos, juntos, loucura juvenis e inconsequentes.
Era tudo felicidade, era tudo explosão de juventude, era tudo mágico. E, por algumas míseras e marcantes horas, aquela sensação de ser amada, de ser legal, de ser especial para alguem, de ser necessária para um sorriso acontecer, de pertencer à algum lugar, de fazer parte de algo maior. Um final de semana, um feriado que marca a minha vida inteira.
Mas, como tudo, acaba. Eu paro, penso, lembro, choro. E as fotos? Como não tirei fotos daqueles poucos minutos de felicidade, de amor mútuo, para relembrar depois? Como pude esquecer minha câmera? Como não pude tirar fotos para ver e rir das besteiras? Como?
Me desepero à procura desses bens materiais impressos a laser, para que eu possa olhar e buscar na memória os acontecimentos daquela noite. Preciso de alguma coisa que eu possa ver, para que seja comprovado visualmente que eu fui amada (mesmo que falsamente), que eu fui feliz (mesmo que momentaneamente), que eu fui especial pelo menos uma vez na vida.
Preciso me agarrar com as unhas nessa provas terrenas, pois a incerteza de minha alma materialista, de que nunca serei amada ou de que nunca serei especial para ninguém - nem para os que tem o mesmo sangue que o meu correndo em sua veias - me apavora. Tenho que ter provas visuais que eu fui feliz, que eu fui importante ao menos um única e curta noite.
Mesmo que tudo que eu tenho vivido tenha sido uma falsidade, tenha sido fruto do etílico, que tenho envergonhado até a minha sexta geração, não me importo. Quero fotos para recordar dos poucos, singulares bons momentos que vivi, já que os maus momentos não precisam ser lembrados com frequências, pois estes são cotidianos.

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