- Por que? - Ele chorava desesperado, aos prantos, sem saber o que fazer, procurando um chão para não desmoronar.
- Não, problema não é com você, é...
- Não me venha com essa! - Ele a interrompeu num grito que cortou o melancolismo de ambiente. - Isso é a pior desculpa...
- Então não me pergunte por que. Me deixe e não olhe para trás, ou apenas me respeite e não questione. E nós sabemos o por que, não seja tão inocente...- Ela disse sacasticamente, o fitando com cara de desprezo.
- Eu preciso de um motivo! Alguma coisa que...
- Alguma coisa em que você você ponha a culpa, para não admitir, ou melhor, não aceitar que isso não dá mais certo, que já acabou faz tempo. Acabou naquele momento em que você beijou outros lábios que não os meus, ah, que erro mais canalha!- Ela pensou alto, já recolhendo suas coisas espalhadas pelo apartamento dele. - Não queria te fazer sofrera, até iria admitir a culpa falando que o problema é comigo, mas eu sei, você sabe, que o problema é você e sua sede insaciavel de mulher...
- Por favor, fica. - Ele disse agarrando-a pelo braço, numa força quase que violenta. - Cometi erros, mas ele não vai saber te amar como eu amo.
- Me solta, me esquece, e morra!- Ela esbravejou, se esquivando dele.- Se amar é trair, você é o meu maior amante.
- Por favor! Não vá! - Ele gritou o mais alto que pode, quase rasgando a própria garganta.
Ignorando-o completamente, ela terminou de recolher seus pertences, e, sem olhar para trás, bateu a porta na cara dele. Na rua, no seu carro vermelho, o outro a esperava, com um sorriso nos lábios.
Dias depois, ele ligou para ela, avisando que como ele a perdera, não queria mais viver. Pegou a arma que comprara dias antes, escreveu um bilhete para ela e, afundado em lágrimas, atirou na própria cabeça.
Ela ouviu o recado e percebeu um certo melancolismo na voz do seu já falecido ex. Como ia no apartamente recolher seus móveis, com a ajuda de seu novo namorado, ela resolveu, no mesmo dia, ir a casa dele. Quando abriu a porta, viu o caminho de sangue, o corpo, a arma e o bilhete. Com as mãos trêmulas e os olhos já inundados por lágrimas, pegou o bilhete com manchas de sangue e leu:
"Meu único e verdadeiro amor,
Cometi muitos erros, esse será só mais um deles.
Mas foi a única saída para lhe tirar dos meus pensamentos.
E além disso, é umas das coisas que você queria : não me ver mais.
Adeus."
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