Com o seu retrato quebrado ao chão, eu derramava as quentes lágrimas. Questionava muda o porque de tudo aquilo. A garrafa, amiga sempre companheira, já estava quase vazia. Cazuza tocava no rádio, overdoso me fazia sentir mais sóbria. Era a nossa música - e de mais milhares de corações. Acordes que despedaçavam minha alma em mil pedaços.
Os embrulhos de chocolates faziam um ninho de gula em minha volta. A culpa já subia a cabeça, ocupando o espaço que você habitara. Queria esvaziar tudo: a cabeça, o coração, o estômago. Queria colocar tudo pra fora, para ver se sumiam dali, aqueles sentimentos.
Levanto, caminho até o banheiro, pisando mórbidamente sobre os cacos de vidro espalhados pelo chão - que me importam os pés cortados se meu corção sangra bem mais? - pego o instrumento do crime.
Talvez fosse uma solução para botar tudo para fora. Talvez fosse distúrbio. Talvez fosse insanidade esvaziar a barriga e abastece-la no taque de tequila de novo. Pelo menos não iria ficar consciente.
Finalmente, regurgito. Enche um copo, sento desamparada. Breve solução para quem quer te tirar da cabeça. Soltemos pela boca até a alma, já que a minha morrerá de cirrose e abandono.
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