sábado, 7 de agosto de 2010

Triunfo.

Ele não sabia que ela viria. Ninguem o tinha avisado, ninguem o tinha alertado, ninguem o tinha preparado para ver tal deslumbrante mulher. Sim, depois de sua passagem amorosa com ele, ela deixara de ser aquela garotinha apaixonada com seus sonhos de açucar temperados com amores pefeitos. Tinha se tornado uma mulher decidida, confiante, sedutora clássica, misteriosa e todos os seus sonhos haviam mudado, não tinham mais efeites de confeitaria, e agora ela os fazia acontecer. É, muita coisa havia mudado.

Era para ser uma noite especial para ele. Estréia, todos os amigos, parentes, puxa-sacos, fãns do sexo opostos, todas estariam lá. Afinal ele se achava um conquistador e até que conquistara meia dúzia de gatos pingados, que, diga-se de passagem, não se comparavam a ela. Durante o espetáculo, tudo ocorrera normal. Ele não notara que, no canto mais reservado para não chamar atenção (antes da hora), lá estava ela. Maduramente linda, trabalhada na perfeição, num misto de sensualidade e delicadeza.

Terminada a peça, todos se cumprimentavam, os atores eram elogiados e alguns recebiam flores de seus parentes mais próximos. Ela apenas se levantou, saiu do auditório e ficou parada em lugar que todos que fossem saindo, conseguissem vê-la. Estava especialmente bonita para aquela ocasião. Queria que ele se arrependesse, se deslumbrasse, que suas pernas ficassem trêmulas ao fita-la de cima a baixo. Seria o seu triunfo, a sua doce vingança por tudo que tivera passado. Tanta mágoa que tinha ficado em seu coração. Ela o amou tanto, o desejou tanto e ele apenas brincou com ela. Mas estava decidida, aquela noite ele iria sofrer, iria querer voltar no passado e querer fazer tudo de novo.

Quando todos começaram sair, ela se animou mais. Seus amigos tinham formado um círculo em volta dela, conversando, pensando como seria a reação dele. Derrepente ela o viu descendo as escadas desprecupado, indefeso como uma gazela que não percebe que seu predador a vigia de longe. Quando ela viu que ele vinha embasbacado, quase hipinotizado, em sua direção, fingiu que não o via. Mas finalmente ficaram frete a frente. Ele a olhou da ponta do pé até o cabelos previamente cacheados e impecavelmente arrumados. Ficou pasmo, bêbado de tanto remorso. Ela sorriu sadicamente e sinicamente se pôs a falar.

- Oi, tudo bom? Você parece meio branco... - ela disse zombadamente.

- Não...eu...eu...eu estou bem sim. Como você está...está... está bonita. - ele gaguejou, todo sem jeito de falar o que estava pesando realmente.

- Obrigada. Bom, mas só vim para te dar um 'oi' mesmo. Ah propósito, adorei a peça.

- O...obrigado. Você está realmente linda.- ele falou quase que pra si mesmo.

- Obrigada de novo, hahaha. Muito gentil da sua parte. - ela disse o ironizando. - Bom, mas eu já vou indo, tenho um outro compromisso e não posso me atrasar. Então... adeus.

- Não, espere!- ele gritou, desesperado.- Posso falar com você a sós? Por favor, um minuto?

- Claro.

- Então, aquilo que rolou conosco há um tempo atrás... que tal esquecer, passar uma borracha e recomeçar tudo de novo, do zero? Você veio aqui hoje só para me ver e veio toda linda, querendo reconciliar...Vamos iniciar uma nova fase, sei que você ainda sente alguma coisa por mim. Temos uma história de amor tão linda e vou te confessar que eu também...

- Hahahaha. - ela o interropeu numa gargalhada que o cortou o coração.- Agradeço a proposta, mas não. Não quero reatar o que não tinha nem começado. Eu já tenho outro amor e vou vê-lo hoje a noite, não posso chegar atrasada. Então como eu ia dizendo antes de você falar asneiras, adeus.

- Mas... - ele se pôs a chorar, arrependido.

Ela caminhou truinfante pela porta de saída, espalhando seu brilho e seu sucesso pelos corredores. Finalmente havia vencido a batalha. Ela não tinha compromisso nenhum, muito menos um novo amor. Só havia o esquecido e se tornado uma mulher menos apaixonada. Apenas queria ver o sofrimento dele, o arrependimento nos olhos dele, olhos que, após sua saída, tinham ficado tristes, melancólicos, agastados. Ele ficou ali, parado, desolado, desorientado, sem saber o que falar. Somente pode ver sua musa indo embora, desfilando vitoriosa.

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